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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Como Funciona o Cérebro

O cérebro realiza várias tarefas incríveis:

  • controla a temperatura corpórea, a pressão arterial, a freqüência cardíaca e a respiração
  • aceita milhares de informações vindas dos nossos vários sentidos (visão, audição, olfato)
  • controla nossos movimentos físicos ao andarmos, falarmos, ficarmos em pé ou sentarmos
  • nos deixa pensar, sonhar, raciocinar e sentir emoções

Todas essas tarefas são coordenadas, controladas e reguladas por um órgão que tem mais ou menos o tamanho de uma pequena couve-flor: o cérebro.

Nosso cérebro, medula espinhal e nervos periféricos compõem um sistema de controle e processamento integrado de informações. O estudo científico do cérebro e do sistema nervoso é chamado de neurociência ou neurobiologia. Como o campo da neurociência é tão vasto e o cérebro e o sistema nervoso, tão complexos, este artigo vai começar dando uma visão geral sobre esse órgão.

Vamos examinar aqui as estruturas do cérebro e o que cada uma delas faz. Após essa explicação geral sobre o cérebro, você vai poder entender conceitos como controle motor, processamento visual, processamento auditivo, sensações, aprendizagem, memória e emoções.

Nosso cérebro: Estrutura dos neurônios

Nosso cérebro é composto por aproximadamente 100 bilhões de células nervosas, chamadas de neurônios. Os neurônios têm a incrível habilidade de juntar e transmitir sinais eletroquímicos, como se fossem entradas, saídas e fios de um computador. Os neurônios compartilham as mesmas características e têm as mesmas partes que as outras células, mas o aspecto eletroquímico os deixa transmitir sinais por longas distâncias e passar mensagens de um para o outro. Os neurônios possuem três partes básicas: corpo celular, axônio e dendritos.

  • Corpo celular - essa parte principal contém todos os componentes necessários da célula, como o núcleo (que contém DNA), retículo endoplasmático e ribossomos (para construir proteínas) e mitocôndria (para produzir energia). Se o corpo celular morrer, o neurônio morre.
  • Axônio - essa projeção da célula, longa e semelhante a um cabo, transporta a mensagem eletroquímica (impulso nervoso ou potencial de ação) pela extensão da célula; dependendo do tipo do neurônio, os axônios podem ser cobertos por uma fina camada de mielina, como um fio elétrico com isolamento. A mielina é feita de gordura e ajuda a acelerar a transmissão de um impulso nervoso através de um axônio longo. Os neurônios com mielina costumam ser encontrados nos nervos periféricos (neurônios sensoriais e motores), ao passo que os neurônios sem mielina são encontrados no cérebro e na medula espinhal.
  • Dendritos ou terminações nervosas - essas projeções pequenas e semelhantes a galhos realizam as conexões com outras células e permitem que o neurônio se comunique com outras células ou perceba o ambiente a seu redor. Os dendritos podem se localizar em uma ou nas duas terminações da célula.

Nosso cérebro: Tipos de neurônios básicos

Existem neurônios de vários tamanhos. Por exemplo, um único neurônio sensorial da ponta do nosso dedo tem um axônio que se estende por todo o comprimento do nosso braço, ao passo que os neurônios dentro do cérebro podem se estender por somente alguns poucos milímetros. Os neurônios possuem formatos diferentes, dependendo de sua função. Os neurônios motores, que controlam as contrações dos músculos, possuem um corpo celular em uma ponta, um axônio longo no meio e dendritos na outra ponta. Já os neurônios sensoriais têm dendritos nas duas pontas, conectados por um longo axônio com um corpo celular no meio.

Alguns tipos de neurônios: motoneurônio (a), neurônio sensorial (b), célula piramidal (c)

Os neurônios também variam no que diz respeito a suas funções:

  • os neurônios sensoriais transportam sinais das extremidades do nosso corpo (periferias) para o sistema nervoso central;
  • os neurônios motores (motoneurônios) transportam sinais do sistema nervoso central para as extremidades (músculos, pele, glândulas) do nosso corpo;
  • os receptores percebem o ambiente (químicos, luz, som, toque) e codificam essas informações em mensagens eletroquímicas, que são transmitidas pelos neurônios sensoriais;
  • os interneurônios conectam vários neurônios dentro do cérebro e da medula espinhal.

O tipo mais simples de via neural é um arco reflexo monossináptico (conexão simples), como o reflexo patelar. Quando o médico bate no ponto certo do nosso joelho com um martelo de borracha, os receptores enviam um sinal para a medula espinhal através de um neurônio sensorial. Esse neurônio passa a mensagem para um neurônio motor, que controla os músculos da nossa perna. Os impulsos nervosos viajam pelo neurônio motor e estimulam o músculo específico a se contrair. A resposta é um movimento muscular que acontece rapidamente e não envolve nosso cérebro. Os seres humanos possuem vários reflexos desse tipo, mas, conforme as tarefas vão ficando mais complexas, o "circuito" também fica mais complicado e o cérebro se integra nele.

Partes do cérebro

Principais divisões do cérebro

  • Medula espinhal
  • Tronco encefálico
  • Cerebelo
  • Cérebro anterior
    • Diencéfalo - tálamo, hipotálamo
    • Córtex cerebral

Os seres mais simples têm os mais simples sistemas nervosos constituídos por arcos reflexos. Por exemplo, vermes achatados e invertebrados não possuem um cérebro centralizado. Eles têm associações separadas de neurônios, organizadas em arcos reflexos simples. Os vermes achatados possuem redes neurais, neurônios individuais conectados que formam uma rede ao redor do animal.

A maioria dos invertebrados tem cérebro simples que consistem em grupos localizados de corpos celulares neurais chamados de gânglios. Cada gânglio controla funções sensoriais e motoras em seu segmento através de um arco reflexo e os gânglios são conectados para formar um sistema nervoso simples. Conforme o sistema nervoso evoluiu, as cadeias de gânglios evoluíram para cérebros simples mais centralizados.

O cérebro evoluiu a partir dos gânglios dos invertebrados. Não importa o animal, um cérebro tem as seguintes partes:

  • tronco encefálico - o tronco encefálico consiste em bulbo, ponte e mesencéfalo; o tronco encefálico controla os reflexos e funções automáticas (freqüência cardíaca, pressão arterial), movimentos dos membros e funções viscerais (digestão, micção);
  • cerebelo - integra informações do sistema vestibular que indicam posição e movimento e utiliza essas informações para coordenar os movimentos dos membros;
  • hipotálamo e glândula pituitária - controlam as funções viscerais, temperatura corporal e respostas de comportamento, como alimentar-se, beber, respostas sexuais, agressão e prazer;
  • cérebro superior, também chamado de córtex cerebral ou apenas córtex- o cérebro consiste no córtex, grandes tratos fibrosos (corpo caloso) e algumas estruturas mais profundas (gânglio basal, amígdala, hipocampo); integra informações de todos os órgãos dos sentidos, inicia as funções motoras, controla as emoções e realiza os processos da memória e do pensamento, expressão de emoções e pensamentos são mais predominantes em mamíferos superiores.

Dos peixes aos humanos é possível ver que o córtex fica maior, ocupa uma porção maior da área total do cérebro e se dobra. O córtex aumentado assume funções superiores adicionais, como processamento de informações, fala, pensamento e memória. Além disso, a parte do cérebro chamada de tálamo evoluiu para ajudar a transmitir informações do tronco encefálico e da medula espinhal para o córtex cerebral.

Cérebro de peixe

Animais inferiores (peixes, anfíbios, répteis e pássaros) não "pensam" tanto: eles se preocupam com as atividades diárias de juntar comida, alimentar-se, beber, dormir, reproduzir-se e se defender. Por isso, seus cérebros refletem os principais centros que controlam essas funções. Nós também desempenhamos essas funções, o que nos faz ter um cérebro "de réptil" dentro de nós. 


Parte inferior do cérebro, exibindo tronco encefálico e os nervos cranianos

Cérebro inferior

A parte inferior do cérebro consiste na medula espinhal, no tronco encefálico e no diencéfalo; o cerebelo e o córtex cerebral também estão presentes, mas serão discutidos mais adiante. Dentro de cada uma dessas estruturas estão os centros das células neurais, chamados de núcleos, especializados em determinadas funções, respiração, regulação da freqüência cardíaca, sono:

  • bulbo - o bulbo contém núcleos para regular a pressão arterial e a respiração, assim como núcleos para transmitir informações dos órgãos dos sentidos que vêm dos nervos cranianos;
  • ponte - a ponte contém núcleos que transmitem informações sobre movimento e posição do cerebelo para o córtex. Além de também conter núcleos que estão envolvidos na respiração, no paladar e no sono;
  • mesencéfalo - o mesencéfalo contém núcleos que ligam as várias seções do cérebro envolvidas nas funções motoras (cerebelo, gânglio basal, córtex cerebral), movimentos oculares e controle auditivo. Uma parte, chamada de substância negra, está envolvida nos movimentos voluntários; quando não funciona, aparecem os tremores característicos do mal de Parkinson;
  • tálamo - o tálamo conecta vias sensoriais aferentes até as áreas apropriadas do córtex, determina que informações sensoriais realmente chegam à consciência e participa da troca de informações motoras entre o cerebelo, o gânglio basal e o córtex;
  • hipotálamo - contém núcleos que controlam secreções hormonais da glândula pituitária. Esse centro governa a reprodução sexual, a alimentação, a ingestão de líquidos, o crescimento e o comportamento materno, como a lactação, produção de leite em mamíferos. O hipotálamo também está envolvido em quase todos os aspectos do comportamento, incluindo nosso "relógio" biológico, que é ligado ao ciclo diário da luz e escuridão (ritmo circadiano).


Visão interna da parte inferior do cérebro

Cérebro: Ato de equilíbrio

O cerebelo é dobrado em muitos lobos e fica acima e atrás da ponte. Ele recebe informações sensoriais da medula espinhal, informações motoras do córtex e gânglios basais, além de informações sobre a posição vindas do sistema vestibular. Então ele integra essas informações e influencia as vias motoras do cérebro para coordenar os movimentos. Para confirmar isso, é só esticarmos o braço e tocarmos um ponto à nossa frente, como o monitor do computador. Nossa mão vai fazer um movimento suave. Se tivéssemos algum dano no cerebelo, o mesmo movimento seria cheio de solavancos por causa da série de pequenas contrações musculares que nosso córtex iniciaria até chegar ao ponto de destino. O cerebelo também pode estar envolvido na linguagem, precisas contrações musculares dos lábios e da laringe e em outras funções cognitivas.

Parte superior do cérebro

O cérebro é a maior parte do encéfalo humano. O córtex contém todos os centros que recebem e interpretam informações sensoriais, iniciam movimentos, analisam informações, raciocinam e sentem emoções. Os centros dessas tarefas estão localizados em diferentes partes do córtex. Mas antes de falarmos sobre o que cada parte faz, vamos dar uma olhada nas partes do cérebro.

Partes principais do córtex cerebral O córtex predomina na superfície exterior do cérebro. A área de superfície do cérebro tem cerca de 1.500 cm2 a 2.000 cm2, que é mais ou menos o tamanho de uma a duas páginas de um jornal. Para fazer essa área caber dentro do crânio, o córtex é dobrado, formando pregas (giros) e sulcos. Vários grandes sulcos dividem o córtex em diferentes lobos: o lobo frontal, o lobo parietal, o lobo occipital e o lobo temporal. Cada lobo tem uma função diferente.

­ Quando visto de cima, um grande sulco (fissura inter-hemisférica) separa o cérebro em duas metades: direita e esquerda. Essas metades se comunicam por meio de um sistema de fibras de matéria branca chamadas de corpo caloso. Além disso, os lobos temporais direito e esquerdo se comunicam por meio de outro trato de fibras próximo à parte de trás do cérebro chamada comissura anterior.

Se você tiver uma vista segmentada do cérebro, será possível ver que a área cortical acima do corpo caloso é dividida por um sulco. Esse sulco é chamado de sulco cingulado. A área entre esse sulco e o corpo caloso tem o nome de giro cingulado, também conhecido como sistema límbico ou lobo límbico. Em uma área mais profunda dentro do cérebro encontram-se o gânglio basal, a amígdala e o hipocampo.

E aqui termina nosso tour pelas principais estruturas do córtex. Agora, vamos ver o que elas fazem. 

As conexões físicas do cérebro

O cérebro possui várias conexões físicas, assim como um prédio ou um avião tem suas partes interligadas por fiação elétrica. No caso do cérebro, as conexões são feitas por neurônios que conectam as entradas sensoriais e as saídas motoras com os centros nos vários lobos do córtex. Também há conexões entre esses centros corticais e outras partes do cérebro.

Diferentes áreas do cérebro superior possuem funções específicas.

  • Lobo parietal - recebe e processa todas as entradas somatossensoriais do corpo (toque, dor); as fibras da medula espinhal se distribuem pelo tálamo para várias partes do lobo parietal. E essas conexões formam um "mapa" da superfície do corpo no lobo parietal. Esse mapa é chamado de homúnculo. O homúnculo tem uma aparência bem estranha, porque a representação de cada área está relacionada ao número de conexões sensoriais de neurônios em vez de ao tamanho físico da área.


Homúnculo, um mapa sensorial de seu corpo. O homúnculo tem uma aparência bem estranha, porque a representação de cada área está relacionada ao número de conexões sensoriais de neurônios, em vez de ao tamanho físico da área

    • A parte traseira do lobo parietal (próxima ao lobo temporal) tem uma seção chamada de área de Wernicke, muito importante para compreender as informações sensoriais (visuais e auditivas) associadas à linguagem. Danos a essa área do cérebro produzem o que se conhece como "afasia sensorial", na qual os pacientes não conseguem entender a linguagem mas ainda são capazes de produzir sons.
  • Lobo frontal - o lobo frontal está envolvido nas habilidades motoras (incluindo a fala) e nas funções cognitivas.
  • O centro motor do cérebro (giro pré-central) localiza-se na parte de trás do lobo frontal, logo na frente do lobo parietal. Ele recebe conexões da parte somatossensorial do lobo parietal e processa e inicia as funções motoras. Assim como o homúnculo no lobo parietal, o giro pré-central possui um mapa motor do cérebro. Para mais detalhes, consulte A Science Odyssey: You Try It - Probe the Brain Activity ("Uma odisséia espacial: experimente - examine a atividade cerebral", em inglês).
  • Uma área no lado esquerdo do lobo frontal, chamada de área de Broca, processa a linguagem por meio do controle dos músculos que criam os sons (boca, lábios e laringe). Danos a essa área resultam na "afasia motora," problema no qual os pacientes conseguem entender a linguagem mas não podem produzir sons corretos ou com qualquer significado.
  • As áreas restantes do lobo frontal realizam processos associativos (pensamento, aprendizado e memória).

­

  • Lobo occipital - o lobo occipital recebe e processa informações visuais diretamente dos olhos e relaciona essas informações com o lobo parietal (área de Wernicke) e com o córtex motor (lobo frontal). Uma das coisas que ele deve fazer é interpretar as imagens invertidas que são projetadas na retina pelo cristalino do olho.
  • Lobo temporal - o lobo temporal processa informações auditivas a partir dos ouvidos e as relaciona com a área de Wernicke do lobo parietal e com o córtex motor do lobo frontal.
  • Ínsula - a ínsula influencia funções automáticas do tronco encefálico. Por exemplo, quando você prende a respiração, os impulsos da ínsula suprimem os centros de respiração do bulbo. A ínsula também processa informações sobre o paladar.
  • Hipocampo - o hipocampo localiza-se dentro do lobo temporal e é importante para a memória de curto prazo.
  • Amígdala - ela se localiza dentro do lobo temporal e controla o comportamento sexual e social e outras emoções.
  • Gânglios basais - os gânglios basais trabalham junto ao cerebelo para coordenar movimentos precisos, como movimentos da ponta dos dedos.
  • Sistema límbico - esse sistema é importante no comportamento emocional e no controle dos movimentos dos músculos das vísceras (músculos do aparelho digestivo e cavidades do corpo).
  • Água no cérebro

    Nosso cérebro e medula espinhal são cobertos por uma série de membranas resistentes chamadas de meninges, cuja função é proteger esses órgãos do atrito com os ossos do crânio e da coluna. Para uma proteção ainda maior, o cérebro e a medula espinhal flutuam em um mar de líquido céfalo-raquidiano dentro do crânio e da coluna. Esse líquido de amortecimento é produzido pelo plexo coróide, localizado dentro do cérebro, e flui por uma série de cavidades (ventrículos) para fora do cérebro e dentro da medula espinhal. Esse líquido mantém-se separado do sangue pela barreira hemato-encefálica.


    Sistema ventricular cerebral

    Como você pode ver, teu cérebro é um órgão complexo e extremamente organizado, que comanda tudo o que você faz. Agora que você já está familiarizado com a anatomia do cérebro, veja os artigos que tratam das funções específicas dele.

     

    Fonte: HowStuffWorks

    Read more at http://nunesjanilton.blogspot.com/2012/05/como-funciona-o-cerebro.html#pELPjwZDr1oWCAcG.99

    quarta-feira, 21 de novembro de 2012

    Bebês 'intelectuais'

    Nascemos já bem equipados de conhecimentos. Aos 22 anos, atingimos o pico da capacidade cognitiva. Aos 37, começamos a perder qualidades. Mas os neurónios continuam a formar-se, ao longo da vida

    memorias

    "Ninguém nasce ensinado", diz o ditado. A investigação de Elizabeth Spelke, professora da Universidade de Harvard, EUA, mostra exatamente o contrário. Spelke está, há 30 anos, a tentar demonstrar que existe todo um portfólio de conhecimentos que já vem instalado à nascença. No seu babylab, aquela psicóloga analisa bebés e crianças, em brincadeiras concebidas para avaliar o seu grau de conhecimento de... conceitos matemáticos - pasme-se! Através de brinquedos e jogos, a diretora do Laboratório de Estudos do Desenvolvimento verificou que a noção de número/quantidade ou até de geometria é inata. "As crianças, bem como os peixes-zebra ou as galinhas, conseguem reorientar-se numa sala, usando noções de geometria", exemplificou Spelke, recentemente, num simpósio de neurociências organizado pela Fundação Champalimaud, em Lisboa. Já as capacidades de ler mapas, interpretar fotografias ou falar são "exclusivas dos humanos, mas também não dependem de treino".

    Uma das áreas que desperta maior interesse nas neurociências é a da aprendizagem e memória. Entender o que se passa no cérebro durante este processo pode ajudar a travar a doença de Alzheimer e a demência, ou aumentar a capacidade mental. Timothy Salthouse, diretor do Laboratório de Envelhecimento Cognitivo, da Universidade da Virginia, nos EUA, acompanhou 2 mil pessoas, durante sete anos, com idades entre os 18 e os 60 anos. E concluiu que o auge das capacidades cognitivas, como o raciocínio, a visualização espacial ou a rapidez do pensamento, é atingido aos 22 anos. Por outro lado, a memória começa a decrescer a partir dos 37. Já os conhecimentos gerais ou o vocabulário continuam a aumentar, até aos 60 anos, altura em que a memória diminui acentuadamente. Salthouse sublinha, no entanto, numa publicação universitária, que há muitas variações individuais. "Há pessoas que mantêm um elevado nível de performance em todas as idades. O que fazem, ou herdaram, para envelhecer a um ritmo diferente?", questiona.

    EXPANDIR A INTELIGÊNCIA

    Até há uns anos, os cientistas pensavam que o cérebro parava de criar novos neurónios, após o nascimento. No entanto, hoje sabe-se que o seu processo de formação, a neurogénese, continua na vida adulta, em duas áreas específicas, migrando, depois, para estruturas como o hipocampo - uma região muito importante na formação da memória semântica e episódica (ver infografia). É adquirido que existe uma correlação entre a estimulação mental e o aumento da neurogénese. Por outro lado, o stresse, a ansiedade e, lá está, o envelhecimento parecem diminuí-la. Como é que estas novas células, frescas e sem memórias, que não param de chegar, se encaixam nas ligações já existentes, constitui uma questão que atormenta boa parte dos neurocientistas. 

    Atsushi Iriki, do Instituto Riken para a Ciência do Cérebro, no Japão, estuda a inteligência e tem, nos macacos, as suas cobaias. Depois de os treinar, durante duas semanas, para apanhar bolas, usando uma ferramenta, verificou que o cérebro dos animais se tinha expandido 23 por cento. "Nos matemáticos, que treinam a vida toda, registam-se aumentos de até 3 por cento", disse Atsushi Iriki, à VISÃO, numa recente passagem por Lisboa, para participar num simpósio da Fundação Champalimaud. "Não sabemos, ainda, o que está a acontecer no cérebro: podem ser mais neurónios, mais sangue, mais células da glia [que protegem e suportam os neurónios]", avança. "Também não sabemos até onde podemos ir na expansão. Mas temos a certeza de que existe um limite." 

    FONTE: http://visao.sapo.pt/bebes-intelectuais=f695103#ixzz2Cn8BEFbr

    domingo, 5 de agosto de 2012

    Estímulos cerebrais na dose certa

    Autora: Simaia Sampaio

    “Como uma floresta, o cérebro está ativo algumas vezes, quieto outras, mas sempre cheio de vida. Semelhante à selva o cérebro tem regiões distintas para lidar com várias funções mentais, tais como pensar, sexualidade memória, emoções respiração e criatividade. Ambos, as plantas e animais e a rede de neurônios funcionam tanto de forma competitiva como cooperativa, respondendo aos desafios do ambiente. A lei da selva como a do cérebro é a sobrevivência.”

    Gerald Edelman

    Sempre tivemos uma certa curiosidade em saber como funciona “nossa cachola” mais precisamente ele, o cérebro, que é o responsável por todas as ações voluntárias tais como: falar, mexer os dedos, correr; bem como pelas ações involuntárias como a respiração, por exemplo.

    Ao olharmos uma pessoa, não nos damos conta de quão importante é esta empresa cujos trabalhadores são as células nervosas que processam as informações, para que o cérebro trabalhe direitinho. Não podemos nos tornar Psicopedagogos sem ter uma noção básica sobre o cérebro já que, certamente, iremos nos deparar com situações que exigirão certo conhecimento.

    Para que o cérebro desenvolva todo seu potencial é preciso que seja estimulado. Nos primeiros anos de vida esta estimulação garante o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o cérebro e dotá-lo de habilidades.

    O que pretendemos mostrar neste trabalho é a importância da estimulação na dose certa, de forma direcionada e responsável, sem os excessos a que estão expostas as crianças nos dias de hoje.

    Este órgão, parecido com uma noz gigante, controla todo o nosso corpo, e é por isso que devemos dar uma atenção especial a ele, mesmo antes do nascimento, pois, existem doenças que são diagnosticadas e tratadas mesmo na vida intra-uterina como é o caso da hidrocefalia, do contrário, doenças poderão comprometer seriamente a aprendizagem do indivíduo.

    Um bebê recém-nascido possui mais ou menos um quarto da massa cerebral de uma pessoa adulta. Ele já possui quase todos os neurônios que usará para o resto da vida, afinal, os neurônios, assim como nós, também crescem.

    É por isso que os estímulos são importantes, porém, se forem direcionados e intencionais. Um móbile musical no berço, por exemplo, tem como objetivo desenvolver a percepção visual e auditiva do bebê. Estudos mostram que o bebê ainda no ventre da mãe já reage ao ouvir uma música e esta deve ser preferencialmente lenta tendo a intenção de deixa-lo tranqüilo. Um bebê necessita de estímulos que o ajudarão a ter um desenvolvimento normal e sadio. É importante que as pessoas conversem com o bebê, sorriam, brinquem com cores e formas diversas, o deixem explorar o ambiente ao engatinhar tirando objetos perigosos do seu alcance.

    O cérebro responde bem a estímulos desde que somos criança e é na infância o período que ele funciona melhor, pois, está a pleno vapor. Aos dois anos o cérebro está em uma importante fase de evolução, portanto, é hora de falar bastante com o bebê para enriquecer seu vocabulário, já que, segundo Piaget, é nesta fase que ele começa a traduzir o pensamento em frases e a misturar as palavras segundo um processo mental lógico. Nunca é tarde para aprendermos coisas novas, porém a melhor fase para uma pessoa aprender uma segunda língua, por exemplo, é até os dez anos de idade possuindo grande chance de que o idioma seja falado sem sotaque.

    O quadro abaixo mostra a idade ideal para que a criança inicie novas aprendizagens, não significando, contudo, que se ultrapassada esta fase a criança ou o adulto não terá mais condições de aprender; ela poderá aprender sim, porém, seu esforço será maior.

    Períodos cruciais da infância:

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    Até algum tempo atrás os neurocientistas acreditavam que, completado o seu desenvolvimento, o cérebro não mudava mais, particularmente em relação aos neurônios; que os neurônios não se reproduziam mais, nem sofriam mudanças nas estruturas de conexão com outros neurônios. Acreditavam ainda, que as vítimas de derrame ou tumores não recuperavam as funções das partes lesionadas do cérebro. Entretanto hoje já se sabe que não é bem assim. A neuroanatomista americana Drª Marian Diamond realizou experiências com ratos capazes de demonstrar que aqueles que foram criados em um ambiente enriquecedor, com estímulos como brinquedos, bolas, rodas, escadinhas e rampas desenvolviam um córtex cerebral mais espesso do que aqueles criados em um ambiente mais limitado, ou seja, sem brinquedos ou isolados. O aumento da espessura do córtex era devido ao aumento de ramificação de dendritos e das interconexões com outras células (sinapses).

    Segundo pesquisas recentes, o crescimento de outros neurônios também aparece no hipocampo (região cerebral ligada à memória e à aprendizagem). Conclui-se, portanto que em ambientes enriquecedores há maior crescimento de dendritos, aumentando o número de sinapses e melhorando a aprendizagem.

    http://www.epub.org.br/cm/n11/mente/eisntein/rats-p.html

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    Neurônios “exercitados” possuem um número muito maior de ramificações (dendritos) se comunicando com outros neurônios. A sinapse pode ocorrer de várias formas: dendrito com axônio, axônio com axônio, axônio com corpo celular.

    A sinapse é uma microscópica fenda altamente especializada da comunicação entre células nervosas, que transmitem impulsos ao longo de sus fibras. A membrana pré-sináptica da célula libera neurotransmissores que levam o impulso de energia-informação. Ao cair na fenda que é o espaço comum às duas células, as moléculas provocam a excitação da membrana da célula em contato sináptico com ela, onde portões se abrem para haver a troca de cargas elétricas positivas e negativas. Uma única célula pode mandar, através de sinapses, impulsos para até mais de 10 mil outras células, simultaneamente.

    http://www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_nervoso/cerebro/cerebro.html

    Os estímulos apropriados nos primeiros anos de vida são de extrema importância. As experiências da infância irão determinar se uma criança será um adulto mais inteligente ou menos inteligente, se será medroso ou não etc. O ambiente pode influenciar na maneira como o cérebro será ativado para funções como matemática, linguagem, música. Se o cérebro não receber estímulos apropriados durante este período, será muito difícil se reativar por si mesmo, embora não impossível.

    Deve-se ter cuidado pra os excessos, tudo deve ser na medida certa. Um clima positivo, sem ameaças possui grande poder de aprendizagem. Quando as emoções são bloqueadas podem causar stress, doença ou depressão. Somos mais seres emocionais do que cognitivos, segundo Eric Jensen, escritor e conferencista internacional.

    Pessoas que praticam algum exercício mental como pintar, tocar instrumento, ensinar, fazer palavras cruzadas dentre outros, demoram mais para se esquecerem das coisas, principalmente, quando chegam na terceira idade. A doença de Alzheimer, por exemplo, aparece em cerca de 20% da população com mais de 80 anos, caracterizando-se por inúmeras alterações patológicas dos neurônios e pela morte maciça de células provocando a perda de memória e outras deteriorações do comportamento e da personalidade. Este quadro pode ser amenizado ou evitado quando o indivíduo é submetido a atividades que exijam o constante exercício da memória.

    As emoções e o equilíbrio psicológico também dependem de exercícios cerebrais. O sistema límbico é o principal centro ativado para estas funções. Esta usina das emoções funciona bem ou mal de acordo com o combustível que recebe. Um elogio a uma criança que acertou o problema de matemática, por exemplo, estimula e fortalece as conexões do sistema límbico.

    As atitudes futuras da criança dependem muito da qualidade que envolve razão e emoção. Um abraço e palavras de estímulo à criança que caiu da escada podem fazer a diferença, ajudando-a a controlar suas emoções e futuramente saber sair-se bem de situações difíceis.

    Há casos em que a deterioração parcial do desenvolvimento da linguagem está associada, em certos casos, com a perda temporária de audição devido a infecções na infância, como é o caso da otite, justamente no período em que está se iniciando o processo de descoberta da linguagem. Isto prejudica, sobremaneira, o curso normal do desenvolvimento implicando em dificuldades na aprendizagem.

    A audição é apenas um dos diversos sentidos de comunicação com o mundo. Podemos perceber o mundo através de outros canais como a visão, olfato, gustação, tato.

    Estes sentidos são fornecidos através de alguns de nossos órgãos que possuem células especializadas convertendo as mensagens de luz, som, imagens, cheiro, sabor, dor, em códigos compreensíveis para o cérebro, ou sinais elétricos que são registrados pelo cérebro e através de suas células mandam respostas de volta ao ambiente.

    A interação destas mensagens e respostas irá determinar nossa sobrevivência, experiências e evolução do mundo, permitindo percebermos o perigo, ou ter idéias extraordinárias como algumas que marcaram a nossa história, como a ida do homem à lua, a criação do avião ou a construção de genes humanos.

    A diversidade cultural do ambiente provoca mudanças no cérebro. Novos ramos de células interconectados são adicionados e ampliados em resposta à experiência e à aprendizagem. O comportamento humano também e remodelado, para que o ser possa adaptar-se ao novo.

    Assim, após breve estudo a respeito do sistema nervoso, podemos concluir que devemos propiciar à criança um ambiente sensorialmente enriquecedor, causando, assim, um impacto cognitivo significativo sobre a criança, seja ela ainda bebê ou mais crescida. Por isso é tão importante que a educação seja ministrada em um ambiente saudável recheado de cores, músicas, exercícios corporais e mentais, dramatizações, jogos e isto vale também para um consultório psicopedagógico onde a criança, certamente, sentir-se-á bem. Este ambiente positivo será um estímulo para uma aprendizagem mais significativa.

    Bibliografia

    MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. 2ª edição, Atheneu, São Paulo-SP, 1987.

    GANONG,Willian F. Fisiologia Médica. 5ª edição, Atheneu, São Paulo-SP, 1989.

    Fonte: www.psicopedagogiabrasil.com.br

    sábado, 2 de junho de 2012

    Atividades lúdicas estimulam o cérebro

    Atividades lúdicas estimulam o cérebro a aprender por tentativa e erro e a lidar com os futuros estresses da vida adulta.

    Por: Gonçalo Vianahiperatividade embalagens

    A maioria das crianças se assemelha àquele coelhinho que bate tambor no comercial da pilha que “duuura”: parecem ter uma energia sem fim, que usam para fazer coisas aparentemente sem muito sentido. Por que passar tanto tempo correndo, pulando uns sobre os outros, ou brincando de morto-vivo ou batatinha-frita? Parecem brincadeiras bobas que servem apenas para divertir as crianças e fazê-las correr. Mas esses jogos fazem muito mais: oferecem um enorme playground para o cérebro aprender por tentativa e erro e ainda são um grande treinamento social para os futuros estresses da vida adulta.

    Considere, por exemplo, as brincadeiras tradicionais da infância. Estas são um excelente exercício para o córtex pré-frontal em formação, aquela parte do cérebro que organiza nossas ações, faz planos, elabora estratégias e, sobretudo, diz “não” às respostas impulsivas do cérebro. Crianças pequenas ainda não fazem nada disso muito bem, com seu pré-frontal imaturo, de modo que qualquer “aula” de organização é bem-vinda, a começar pelo bê-á-bá: escolher a resposta certa para cada estímulo. Brincando de lenço atrás, o cérebro aprende que deve responder a um objeto atrás das costas fazendo a criança correr atrás da outra. Enquanto aprende, o cérebro de quebra se diverte com seus erros, o que garante muitas horas de brincadeira – e aprendizado.

    Se escolher a resposta certa é importante, não responder quando não se deve também é fundamental, mas já exige um nível de elaboração maior do pré-frontal. Aos 3 anos, meu filho brincava de morto-vivo sem o menor problema, mas o cérebro dele ainda apanhava nas brincadeiras de “nível 2”, que exigem que não se faça alguma coisa ao ouvir um comando. No esconde-esconde, bastava perguntar “Cadê você?” que ele se entregava, lá do seu esconderijo: “Tô aqui!”. Com tempo, prática e muita brincadeira, o córtex pré frontal vai aprendendo que às vezes a ação correta é a não ação.

    O passo seguinte é elaborar estratégias que juntam ação e não ação. Quando morto-vivo e batatinha-frita se tornam triviais, brincadeiras como pique-bandeira e depois os esportes organizados dão ao cérebro o desafio de monitorar várias pessoas ao mesmo tempo, decidir quando é o momento de correr e, ainda, driblar o adversário.

    O prazer e motivação das brincadeiras da infância vêm da ativação nas alturas do sistema de recompensa, que premia o cérebro que faz algo que dá certo, e assim faz qualquer coisa parecer interessante. Daí vem o “modo de auto-entretenimento” talvez universal em filhotes, capazes de passar horas em seu próprio mundo. Pois é: filhotes de ratos brincam; filhotes de elefante rolam na lama; cachorrinhos e filhotes de leão se amontoam, mordendo-se na nuca ou nas orelhas, em brigas de mentira.

    Além de aprender na prática a controlar a si mesmo, o cérebro de quem brinca aprende formas mais saudáveis de regular suas respostas ao estresse. Ratinhos criados em isolamento ou com irmãos sedados demais para brincar tornam-se adultos ansiosos e estressados: em situações ameaçadoras, os animais que não brincaram na infância são mais dados a arroubos de agressividade ou, ao contrário, a se esconder. O mesmo acontece com primatas, entre eles os humanos. A brincadeira bruta expõe os filhotes a pequenos estresses, com os quais eles vão aprendendo a lidar desde cedo. Assim quem sabe um dia eles possam considerar seus problemas adultos “brincadeira de criança”...

    Fonte: Mente e Cérebro

    Sinestésicos têm memória melhor e são mais criativos


    O fenômeno relacionado a habilidades cognitivas mais aprimoradas pode ser resultado da evolução
    Para algumas pessoas números e letras representam mais que símbolos aritméticos ou tipográficos – um 6 ou um “a” podem evocar texturas, cores e até mesmo sabores. É o fenômeno da sinestesia, que consiste numa espécie de cruzamento de sentidos. Agora, um estudo publicado na PLoS Biology sugere que ele pode ser resultado da evolução, pois está relacionado a habilidades cognitivas mais aprimoradas, como memória e criatividade.

    Os neurocientistas Vilayanur Ramachandran e David Brang, do Centro do Cérebro e da Cognição da Universidade da Califórnia, observaram que os sinestésicos têm resultados acima da média em testes de memória e que o fenômeno é consideravelmente mais comum entre artistas, o que sugere possível relação com a criatividade. “Há evidências de que a sinestesia é hereditária. Ela pode ser evolutiva, pois está relacionada ao melhor desempenho de algumas faculdades”, dizem os neurocientistas.

    Outro estudo, divulgado pelo Current Biology, mostra que pessoas com um tipo específico de sinestesia, a de cor grafema – isto é, letras ou números são associados a tonalidades –, apresentam hipersensibilidade do córtex visual primário. Através de um experimento de estimulação magnética transcraniana, pesquisadores da Universidade de Oxford verificaram que elas percebem estímulos visuais, como flashes ou pontos luminosos, três vezes mais facilmente que voluntários não sinestésicos. Mas os autores deixam claro que ainda são necessários mais estudos para comprovar se o fenômeno é realmente uma “vantagem” cognitiva.
    Fonte UOL

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