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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bebês 'intelectuais'

Nascemos já bem equipados de conhecimentos. Aos 22 anos, atingimos o pico da capacidade cognitiva. Aos 37, começamos a perder qualidades. Mas os neurónios continuam a formar-se, ao longo da vida

memorias

"Ninguém nasce ensinado", diz o ditado. A investigação de Elizabeth Spelke, professora da Universidade de Harvard, EUA, mostra exatamente o contrário. Spelke está, há 30 anos, a tentar demonstrar que existe todo um portfólio de conhecimentos que já vem instalado à nascença. No seu babylab, aquela psicóloga analisa bebés e crianças, em brincadeiras concebidas para avaliar o seu grau de conhecimento de... conceitos matemáticos - pasme-se! Através de brinquedos e jogos, a diretora do Laboratório de Estudos do Desenvolvimento verificou que a noção de número/quantidade ou até de geometria é inata. "As crianças, bem como os peixes-zebra ou as galinhas, conseguem reorientar-se numa sala, usando noções de geometria", exemplificou Spelke, recentemente, num simpósio de neurociências organizado pela Fundação Champalimaud, em Lisboa. Já as capacidades de ler mapas, interpretar fotografias ou falar são "exclusivas dos humanos, mas também não dependem de treino".

Uma das áreas que desperta maior interesse nas neurociências é a da aprendizagem e memória. Entender o que se passa no cérebro durante este processo pode ajudar a travar a doença de Alzheimer e a demência, ou aumentar a capacidade mental. Timothy Salthouse, diretor do Laboratório de Envelhecimento Cognitivo, da Universidade da Virginia, nos EUA, acompanhou 2 mil pessoas, durante sete anos, com idades entre os 18 e os 60 anos. E concluiu que o auge das capacidades cognitivas, como o raciocínio, a visualização espacial ou a rapidez do pensamento, é atingido aos 22 anos. Por outro lado, a memória começa a decrescer a partir dos 37. Já os conhecimentos gerais ou o vocabulário continuam a aumentar, até aos 60 anos, altura em que a memória diminui acentuadamente. Salthouse sublinha, no entanto, numa publicação universitária, que há muitas variações individuais. "Há pessoas que mantêm um elevado nível de performance em todas as idades. O que fazem, ou herdaram, para envelhecer a um ritmo diferente?", questiona.

EXPANDIR A INTELIGÊNCIA

Até há uns anos, os cientistas pensavam que o cérebro parava de criar novos neurónios, após o nascimento. No entanto, hoje sabe-se que o seu processo de formação, a neurogénese, continua na vida adulta, em duas áreas específicas, migrando, depois, para estruturas como o hipocampo - uma região muito importante na formação da memória semântica e episódica (ver infografia). É adquirido que existe uma correlação entre a estimulação mental e o aumento da neurogénese. Por outro lado, o stresse, a ansiedade e, lá está, o envelhecimento parecem diminuí-la. Como é que estas novas células, frescas e sem memórias, que não param de chegar, se encaixam nas ligações já existentes, constitui uma questão que atormenta boa parte dos neurocientistas. 

Atsushi Iriki, do Instituto Riken para a Ciência do Cérebro, no Japão, estuda a inteligência e tem, nos macacos, as suas cobaias. Depois de os treinar, durante duas semanas, para apanhar bolas, usando uma ferramenta, verificou que o cérebro dos animais se tinha expandido 23 por cento. "Nos matemáticos, que treinam a vida toda, registam-se aumentos de até 3 por cento", disse Atsushi Iriki, à VISÃO, numa recente passagem por Lisboa, para participar num simpósio da Fundação Champalimaud. "Não sabemos, ainda, o que está a acontecer no cérebro: podem ser mais neurónios, mais sangue, mais células da glia [que protegem e suportam os neurónios]", avança. "Também não sabemos até onde podemos ir na expansão. Mas temos a certeza de que existe um limite." 

FONTE: http://visao.sapo.pt/bebes-intelectuais=f695103#ixzz2Cn8BEFbr

domingo, 5 de agosto de 2012

Estímulos cerebrais na dose certa

Autora: Simaia Sampaio

“Como uma floresta, o cérebro está ativo algumas vezes, quieto outras, mas sempre cheio de vida. Semelhante à selva o cérebro tem regiões distintas para lidar com várias funções mentais, tais como pensar, sexualidade memória, emoções respiração e criatividade. Ambos, as plantas e animais e a rede de neurônios funcionam tanto de forma competitiva como cooperativa, respondendo aos desafios do ambiente. A lei da selva como a do cérebro é a sobrevivência.”

Gerald Edelman

Sempre tivemos uma certa curiosidade em saber como funciona “nossa cachola” mais precisamente ele, o cérebro, que é o responsável por todas as ações voluntárias tais como: falar, mexer os dedos, correr; bem como pelas ações involuntárias como a respiração, por exemplo.

Ao olharmos uma pessoa, não nos damos conta de quão importante é esta empresa cujos trabalhadores são as células nervosas que processam as informações, para que o cérebro trabalhe direitinho. Não podemos nos tornar Psicopedagogos sem ter uma noção básica sobre o cérebro já que, certamente, iremos nos deparar com situações que exigirão certo conhecimento.

Para que o cérebro desenvolva todo seu potencial é preciso que seja estimulado. Nos primeiros anos de vida esta estimulação garante o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o cérebro e dotá-lo de habilidades.

O que pretendemos mostrar neste trabalho é a importância da estimulação na dose certa, de forma direcionada e responsável, sem os excessos a que estão expostas as crianças nos dias de hoje.

Este órgão, parecido com uma noz gigante, controla todo o nosso corpo, e é por isso que devemos dar uma atenção especial a ele, mesmo antes do nascimento, pois, existem doenças que são diagnosticadas e tratadas mesmo na vida intra-uterina como é o caso da hidrocefalia, do contrário, doenças poderão comprometer seriamente a aprendizagem do indivíduo.

Um bebê recém-nascido possui mais ou menos um quarto da massa cerebral de uma pessoa adulta. Ele já possui quase todos os neurônios que usará para o resto da vida, afinal, os neurônios, assim como nós, também crescem.

É por isso que os estímulos são importantes, porém, se forem direcionados e intencionais. Um móbile musical no berço, por exemplo, tem como objetivo desenvolver a percepção visual e auditiva do bebê. Estudos mostram que o bebê ainda no ventre da mãe já reage ao ouvir uma música e esta deve ser preferencialmente lenta tendo a intenção de deixa-lo tranqüilo. Um bebê necessita de estímulos que o ajudarão a ter um desenvolvimento normal e sadio. É importante que as pessoas conversem com o bebê, sorriam, brinquem com cores e formas diversas, o deixem explorar o ambiente ao engatinhar tirando objetos perigosos do seu alcance.

O cérebro responde bem a estímulos desde que somos criança e é na infância o período que ele funciona melhor, pois, está a pleno vapor. Aos dois anos o cérebro está em uma importante fase de evolução, portanto, é hora de falar bastante com o bebê para enriquecer seu vocabulário, já que, segundo Piaget, é nesta fase que ele começa a traduzir o pensamento em frases e a misturar as palavras segundo um processo mental lógico. Nunca é tarde para aprendermos coisas novas, porém a melhor fase para uma pessoa aprender uma segunda língua, por exemplo, é até os dez anos de idade possuindo grande chance de que o idioma seja falado sem sotaque.

O quadro abaixo mostra a idade ideal para que a criança inicie novas aprendizagens, não significando, contudo, que se ultrapassada esta fase a criança ou o adulto não terá mais condições de aprender; ela poderá aprender sim, porém, seu esforço será maior.

Períodos cruciais da infância:

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Até algum tempo atrás os neurocientistas acreditavam que, completado o seu desenvolvimento, o cérebro não mudava mais, particularmente em relação aos neurônios; que os neurônios não se reproduziam mais, nem sofriam mudanças nas estruturas de conexão com outros neurônios. Acreditavam ainda, que as vítimas de derrame ou tumores não recuperavam as funções das partes lesionadas do cérebro. Entretanto hoje já se sabe que não é bem assim. A neuroanatomista americana Drª Marian Diamond realizou experiências com ratos capazes de demonstrar que aqueles que foram criados em um ambiente enriquecedor, com estímulos como brinquedos, bolas, rodas, escadinhas e rampas desenvolviam um córtex cerebral mais espesso do que aqueles criados em um ambiente mais limitado, ou seja, sem brinquedos ou isolados. O aumento da espessura do córtex era devido ao aumento de ramificação de dendritos e das interconexões com outras células (sinapses).

Segundo pesquisas recentes, o crescimento de outros neurônios também aparece no hipocampo (região cerebral ligada à memória e à aprendizagem). Conclui-se, portanto que em ambientes enriquecedores há maior crescimento de dendritos, aumentando o número de sinapses e melhorando a aprendizagem.

http://www.epub.org.br/cm/n11/mente/eisntein/rats-p.html

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Neurônios “exercitados” possuem um número muito maior de ramificações (dendritos) se comunicando com outros neurônios. A sinapse pode ocorrer de várias formas: dendrito com axônio, axônio com axônio, axônio com corpo celular.

A sinapse é uma microscópica fenda altamente especializada da comunicação entre células nervosas, que transmitem impulsos ao longo de sus fibras. A membrana pré-sináptica da célula libera neurotransmissores que levam o impulso de energia-informação. Ao cair na fenda que é o espaço comum às duas células, as moléculas provocam a excitação da membrana da célula em contato sináptico com ela, onde portões se abrem para haver a troca de cargas elétricas positivas e negativas. Uma única célula pode mandar, através de sinapses, impulsos para até mais de 10 mil outras células, simultaneamente.

http://www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_nervoso/cerebro/cerebro.html

Os estímulos apropriados nos primeiros anos de vida são de extrema importância. As experiências da infância irão determinar se uma criança será um adulto mais inteligente ou menos inteligente, se será medroso ou não etc. O ambiente pode influenciar na maneira como o cérebro será ativado para funções como matemática, linguagem, música. Se o cérebro não receber estímulos apropriados durante este período, será muito difícil se reativar por si mesmo, embora não impossível.

Deve-se ter cuidado pra os excessos, tudo deve ser na medida certa. Um clima positivo, sem ameaças possui grande poder de aprendizagem. Quando as emoções são bloqueadas podem causar stress, doença ou depressão. Somos mais seres emocionais do que cognitivos, segundo Eric Jensen, escritor e conferencista internacional.

Pessoas que praticam algum exercício mental como pintar, tocar instrumento, ensinar, fazer palavras cruzadas dentre outros, demoram mais para se esquecerem das coisas, principalmente, quando chegam na terceira idade. A doença de Alzheimer, por exemplo, aparece em cerca de 20% da população com mais de 80 anos, caracterizando-se por inúmeras alterações patológicas dos neurônios e pela morte maciça de células provocando a perda de memória e outras deteriorações do comportamento e da personalidade. Este quadro pode ser amenizado ou evitado quando o indivíduo é submetido a atividades que exijam o constante exercício da memória.

As emoções e o equilíbrio psicológico também dependem de exercícios cerebrais. O sistema límbico é o principal centro ativado para estas funções. Esta usina das emoções funciona bem ou mal de acordo com o combustível que recebe. Um elogio a uma criança que acertou o problema de matemática, por exemplo, estimula e fortalece as conexões do sistema límbico.

As atitudes futuras da criança dependem muito da qualidade que envolve razão e emoção. Um abraço e palavras de estímulo à criança que caiu da escada podem fazer a diferença, ajudando-a a controlar suas emoções e futuramente saber sair-se bem de situações difíceis.

Há casos em que a deterioração parcial do desenvolvimento da linguagem está associada, em certos casos, com a perda temporária de audição devido a infecções na infância, como é o caso da otite, justamente no período em que está se iniciando o processo de descoberta da linguagem. Isto prejudica, sobremaneira, o curso normal do desenvolvimento implicando em dificuldades na aprendizagem.

A audição é apenas um dos diversos sentidos de comunicação com o mundo. Podemos perceber o mundo através de outros canais como a visão, olfato, gustação, tato.

Estes sentidos são fornecidos através de alguns de nossos órgãos que possuem células especializadas convertendo as mensagens de luz, som, imagens, cheiro, sabor, dor, em códigos compreensíveis para o cérebro, ou sinais elétricos que são registrados pelo cérebro e através de suas células mandam respostas de volta ao ambiente.

A interação destas mensagens e respostas irá determinar nossa sobrevivência, experiências e evolução do mundo, permitindo percebermos o perigo, ou ter idéias extraordinárias como algumas que marcaram a nossa história, como a ida do homem à lua, a criação do avião ou a construção de genes humanos.

A diversidade cultural do ambiente provoca mudanças no cérebro. Novos ramos de células interconectados são adicionados e ampliados em resposta à experiência e à aprendizagem. O comportamento humano também e remodelado, para que o ser possa adaptar-se ao novo.

Assim, após breve estudo a respeito do sistema nervoso, podemos concluir que devemos propiciar à criança um ambiente sensorialmente enriquecedor, causando, assim, um impacto cognitivo significativo sobre a criança, seja ela ainda bebê ou mais crescida. Por isso é tão importante que a educação seja ministrada em um ambiente saudável recheado de cores, músicas, exercícios corporais e mentais, dramatizações, jogos e isto vale também para um consultório psicopedagógico onde a criança, certamente, sentir-se-á bem. Este ambiente positivo será um estímulo para uma aprendizagem mais significativa.

Bibliografia

MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. 2ª edição, Atheneu, São Paulo-SP, 1987.

GANONG,Willian F. Fisiologia Médica. 5ª edição, Atheneu, São Paulo-SP, 1989.

Fonte: www.psicopedagogiabrasil.com.br

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